Ruptura democrática e a questão das classes sociais.

Democratic rupture and the question of social classes.

Autores

  • Elio Chaves Flores Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

DOI:

https://doi.org/10.23900/2359-1552v8n2_5

Palavras-chave:

Manifestações. Política. Corrupção. Impeachment.

Resumo

 A história do tempo presente permite incluir no conflito gerador do golpe de Estado, dimensões singulares das elites políticas brasileiras: o acesso ao ensino superior e o trabalho doméstico, cuja intromissão do Estado (e da gestora pública), causou ódio racial e ódio de classe, que se verbalizaram nas principais cidades brasileiras no primeiro semestre de 2016: ―Dilma jogou o mérito no lixo e ―Dilma invadiu a minha casal. Afinal, aprendemos com as teorias feministas que o privado é público e o pessoal é político. As questões que inspiram esse trabalho são devedoras dessas leituras e buscam explicitar os epifenômenos do golpe: o racismo de classe, a misoginia e o desprezo aos direitos humanos. As coisas aconteciam num frenesi temporal que o tempo presente forçava um olhar pelo retrovisor, adensado nas culturas políticas de longa duração. Desviar-se dos fatos para que possam ser observados é perspectiva analítica e, nesse caso, os dois fatos jurídico-políticos ainda não foram suficientemente valorizados pelos analistas do golpe. Então, a opção metodológica foi considerar a narrativa dos golpistas para situá-la na violência simbólica da luta de classes.

 

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Biografia do Autor

Elio Chaves Flores, Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Professor Titular do Departamento de História, Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, Paraíba - Brasil. E-mail: eliochavesflores@gmail.com

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Publicado

2019-11-10

Como Citar

Flores, E. C. (2019). Ruptura democrática e a questão das classes sociais.: Democratic rupture and the question of social classes. Revista Políticas Públicas &Amp; Cidades - 2359-1552, 8(2). https://doi.org/10.23900/2359-1552v8n2_5